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Quinta-feira, 9 de Novembro de 2006

Os Sonhadores - o filme

É já no próximo Domingo, pelas 16:00, que será exibido no Teatro Angrense, inserido no Ciclo de Cinema do CAH - Cine Angra do Heroísmo, o filme Os Sonhadores.

De: Bernardo Bertolucci
Com: Michael Pitt , Eva Green , Louis Garrel , Anna Chancellor , Robin Renucci , Jean-Pierre Kalfon
EUA/França/Itália/Grã-Bretanha, 2003, Cores, 115 min
Género: Drama
Classificação: M/16

 

 

Sinopse

Deixados sozinhos em Paris enquanto os pais partem de férias, Isabelle (Eva Green ) e o seu irmão gémeo Theo Louis Garrel ) convidam um estudante, Matthew Michael Pitt ), um jovem americano, a ficar no seu apartamento. Mas nada é inocente e os seus destinos vão interligar-se a partir desse momento. O casal de gémeos quer iniciar a sua emancipação sexual, mas precisam de alguém que os ajude, e Michael acaba por ser usado como um inocente: Theo quer que ele o separe da sua irmã e Isabelle quer que ele a separe do seu irmão.

A crítica de João Lopes
O texto seguinte foi publicado no jornal Diário de Notícias, a 6 de Maio de 2004.

O primeiro tango em Paris
Bernardo Bertolucci fez o filme que, para além de polémicas e equívocos, se consolidou na história do cinema como uma espécie de crónica terminal sobre as ilusões seculares do amor e a insondável ambiguidade dos corpos e dos sexos: «O Último Tango em Paris» (1972). Com «Os Sonhadores», ele regressa a Paris para ajustar contas com as raízes de tudo isso. Maio de 68? Sim, sem dúvida. Está lá tudo: os estudantes, as greves, as barricadas, as cargas da polícia. Mas está também algo que confere um sentido outro a tudo isso: o amor do cinema.

Isto porque o realizador italiano, um dos primeiros a assumir a herança da Nova Vaga francesa (lembremos o emblemático «Antes da Revolução», rodado em 1964), consegue essa coisa rara e preciosa que é filmar a cinefilia como uma verdadeira filosofia de vida. Claro que as citações, essa doença infantil de todo o bom cinéfilo, também lá estão. Há mesmo uma sequência de inacreditável desafio poético que consiste em reencenar a cena da corrida dentro do Louvre pelos protagonistas de Bande à Part » (1964), de Jean-Luc Godard . Em todo o caso, o essencial joga-se na dimensão mais íntima do próprio olhar cinéfilo. E aí, Bertolucci sabe filmar os seus três jovens protagonistas (frequentadores obsessivos da Cinemateca Francesa) como personagens para quem os filmes, mais do que representações da vida, são genuínas experiências existenciais que marcam todo o seu comportamento, desde o fluxo abstracto das ideias até à evidência crua, mas ainda poética, dos gestos do amor.

Daí o fascinante paradoxo formal de «Os Sonhadores». Por um lado, este é um filme fabricado a partir das componentes mais vulneráveis da memória; por outro lado, há nele uma vontade de realismo que reage, implicitamente, contra as ilusões "naturalistas" dos nossos tempos televisivos. Bertolucci conseguiu a proeza de filmar a matéria dos sonhos, não como uma hipótese "lírica" de redenção, antes como permanente convulsão do amor, do desejo e da carne. É aí, nesse país sem nome, que se dança o tango das origens.


BERNARDO BERTOLUCCI sobre o filme
"Os jovens não sabem nada sobre 68. É como se tivesse existido uma grande censura e acho que isso é completamente de loucos. Porque mesmo que tenha sido um falhanço dos sonhos revolucionários, 68 foi incrivelmente importante para a mudança do comportamento das pessoas. Tudo mudou. Em Itália, as pessoas costumavam ser multadas por se beijarem na rua! Os miúdos de hoje, que tomam a sua liberdade como certa, não sabem que muito disso foi conquistado em 68."
(...)
"Havia uma grande esperança nos jovens que nunca antes fora vista, e que também nunca mais se veria. A tentativa de mergulhar no futuro e na liberdade foi fantástica. Foi a última vez que algo tão idealista e tão utópico aconteceu. (...) «Os Sonhadores» são um lembrete, como uma peça de música ou um raio de sol repentino. É um lembrete de um período em que uma geração inteira acordou pela manhã com expectativas incríveis. Talvez porque vejo os jovens de hoje melancólicos com o futuro, quero lembrá-los de um tempo em que o futuro era positivo.”


publicado por mq às 15:09

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1 comentário:
De RPM a 11 de Novembro de 2006 às 00:40
olá linda....

beijinho para ti e, este filme, já o vi na Praia da Vitória....

bom fim de semana

RPM


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